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Como identificar e tratar o transtorno da amaxofobia, o medo de dirigir?

Saúde Mental e Bem-Estar, Por Andréa Ladislau, Psicanalista

Em 12/05/2026 às 16:57:16

Mais comum do que imaginamos, o medo de dirigir vai muito além de uma simples insegurança. Certamente, você conhece alguém que, atualmente, tem sua mobilidade limitada por depender de outras pessoas para exercer o direito de ir e vir. Mas o que está por trás desse medo? Quais são as causas e os tratamentos possíveis?

Essa limitação é um tipo de transtorno emocional e psíquico chamado Amaxofobia. Trata-se de um transtorno psicológico que pode afetar profundamente a vida cotidiana, especialmente porque muitas pessoas dependem da direção para trabalhar, como motoristas de aplicativo, motoristas de ônibus, motoristas particulares, entre outros profissionais.

No entanto, mesmo quem não depende da direção para obter sustento pode sofrer impactos importantes, chegando a evitar tarefas simples, como ir às compras, visitar um médico ou dirigir até o trabalho. Pessoas com medo intenso de dirigir costumam preferir o transporte público ou pedir carona para amigos e familiares. Isso pode funcionar enquanto essas alternativas estão disponíveis. Porém, nem sempre é possível, o que acaba afetando negativamente a vida acadêmica, profissional e social.

Existem diferentes níveis de amaxofobia. Algumas pessoas apresentam medo apenas em situações específicas, como dirigir em pontes, estradas ou determinados trajetos considerados ameaçadores. Outras não conseguem concluir as aulas práticas ou obter a carteira de habilitação. Há ainda aquelas que conseguem dirigir, mas vivem sob intenso estado de tensão, podendo sofrer crises de ansiedade ou até ataques de pânico ao volante, comprometendo sua capacidade de reação. Em casos mais severos, o medo pode surgir até mesmo na posição de passageiro.

As causas desse transtorno são variadas e individualizadas. Em muitos casos, a pessoa vivenciou experiências negativas relacionadas ao trânsito, como acidentes, sustos intensos ou situações traumáticas durante o processo de aprendizagem. Instrutores excessivamente rígidos, episódios de direção em condições climáticas adversas ou situações de perigo extremo também podem contribuir para o desenvolvimento do medo.

Além disso, algumas pessoas desenvolvem esse padrão emocional ainda na infância, ao presenciarem pais extremamente ansiosos ou agressivos enquanto dirigiam. O estresse causado pelo trânsito intenso e congestionamentos frequentes também pode favorecer respostas de ansiedade recorrentes ao volante.

Pessoas com histórico de transtornos de ansiedade, crises de pânico ou maior vulnerabilidade emocional podem apresentar maior predisposição ao desenvolvimento da amaxofobia.

É importante compreender que o medo de dirigir não é frescura. Trata-se de um sofrimento real, que pode limitar a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida. Felizmente, é uma condição que pode ser tratada.

Entre as abordagens terapêuticas mais indicadas está o acompanhamento psicoterapêutico, que auxilia no controle emocional e na identificação de gatilhos relacionados ao medo. Em casos mais intensos, pode ser necessária a associação com acompanhamento psiquiátrico e tratamento medicamentoso.

O mais importante é entender que o medo tende a se fortalecer quando evitamos constantemente aquilo que nos causa sofrimento. Quanto mais tempo a pessoa permanece limitada por esse estado emocional, mais difícil pode se tornar o enfrentamento da situação.

Por isso, ao perceber que o medo está interferindo na rotina, limitando deslocamentos ou gerando sofrimento frequente, é fundamental buscar ajuda profissional. O acompanhamento adequado pode ajudar a compreender as causas do transtorno, reduzir os sintomas e recuperar a autonomia e a segurança emocional.


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